A vida é um privilégio apenas do nosso planeta?
Consideramos Projetos de Aprendizagem uma maneira incrível de inserção do aluno na oportunidade de se descobrir autônomo, pesquisador e agente ativo de sua aprendizagem, uma metodologia de trabalho dinâmica, a qual respeita o tempo de cada um na construção do seu conhecimento. Não trabalha com a idéia de que deve ser tudo igual para todos e de que todos devem aprender a mesma coisa ao mesmo tempo, como é a nossa prática - dentro de uma perspectiva de aprendizagem linear - mas tecendo redes de conhecimento e aprendizagens, num processo dinâmico de outramento, de re-significações e descoberta de variadas dimensionalidades, para pesquisa e exploração, reflexão crítica e desdobramentos éticos.
Este novo recurso fez o grupo se inquietar, se frustrar, persistir, e tal como fênix, ressurgir diante de um bloqueio coletivo, em que as idéias se misturavam com a certeza errônea de um trabalho concluído. Em um movimento o qual subvertera a culturalmente aceita relação de poder do mestre sobre seus discípulos, nossos professores nos indicaram as ferramentas para que nos tornássemos, de fato, construtores do conhecimento, exercitando autonomia com responsabilidade.
A construção desse Projeto de Aprendizagem foi baseada nas curiosidades do grupo e desenvolvida através de um trabalho cooperativo, onde todos nós fomos desafiados a expor nossas dúvidas, pesquisar, buscar informações, fazer relações entre os dados pesquisados e, principalmente, interagir com os colegas, diversificando ângulos e abordagens, inter-relacionando temáticas.
O tema controverso que escolhemos - "Projeto Ovni: A Vida é um privilégio apenas do nosso Planeta?" - é, sem dúvida, instigante. Envolvemo-nos de tal forma na pesquisa de dados acerca de um assunto tão afeito a controversas discussões, que mantivemos o cuidado de não cair na armadilha do sensacionalismo, aprendendo a identificar fontes duvidosas e especulativas.
Nos deparamos com hipóteses que geraram especulações, em documentários de cunho duvidoso, relatos que levaram à investigações e em sites com propósitos de aterrorizar o leitor. Obviamente não era isso que desejávamos empreender enquanto pesquisadores; a nossa proposta fora buscar informações sérias que esclarecessem nossas dúvidas e comprovassem nossas certezas.
A vida, propriamente como a conhecemos, apresenta-se de duas formas: unicelular e pluricelular. Lança-se em nosso projeto de aprendizagem a hipótese de vida extraterrestre, a qual bem poderia surpreender-nos apresentando-se sob uma nova forma, agregada as duas já conhecidas. Contudo, posto que não dispomos de prova cabal da existência de vida além da atmosfera terrestre, sequer podemos ousar afirmar que se apresentaria ou não no espaço sideral do mesmo modo que nos é familiar. Também entendemos que a vida se expressa não apenas pelo viés biológico, mas filosófica e espiritualmente, o que já amplia sobremaneira as suas diferentes configurações possíveis.
Nossa pesquisa acolhera a fala dos mais variados campos do conhecimento humano, tanto nas esferas histórica e religiosa, quanto através de registros científicos, da imprensa, das artes e da literatura. Sendo assim, nosso olhar sobre a manifestação da vida evitou compactuar de forma parcial tanto com a teoria criacionista quanto com a teoria evolucionista, isto é, desenvolvemos nossos textos com paixão sobre o tema, sem qualquer necessidade de referendarmos, respectivamente, livros sagrados ou postulados de astrobiologia.
Um dos recursos dos quais lançamos mão como ponto de partida de nosso PA foram vídeos de nossos acervos particulares ou baixados da Internet. Não os tomaríamos como provas irrefutáveis da existência de vida extraterrestre, pois percebemos que tal material poderia, na hipótese mais otimista, ilustrar relatos ou gerar especulações. Contudo, os utilizamos principalmente para apontar hipóteses, tecer conjecturas e optar por outras nuances investigativas.
Ao longo de nosso projeto, percebemos que certas verdades científicas do passado recente foram substituídas por certezas provisórias. Uma simples ilustração de tal maleabilidade no campo das ciências diz respeito às condições para que a existência de vida seja possível. Por séculos os cientistas não experimentaram qualquer arranhão no que postulavam a respeito da impossibilidade de manifestação da vida sem luz solar, assim como em temperaturas extremas. Pois a descoberta de comunidades nas fontes hidrotermais mostrou que é possível que a vida se desenvolva em lugares sem a luz do Sol e em outros lugares sem luz proveniente da estrela mãe.
Não menos surpreendente para os integrantes do grupo foi suplantar uma certa aura de irresponsabilidade financeira e de “busca estúpida” que insiste estar presente no discurso dos detratores da investigação pela existência de vida fora da Terra; a participação de Arecibo – o maior radiotelescópio fixo do mundo – na busca por objetos voadores não identificados, certamente qualifica o trabalho incessante não apenas dos ufólogos, mas de todo aquele que não se diz nem cético nem crédulo sobre os óvnis. De fato, cientistas, estudiosos de livros sagrados, jornalistas e toda sorte de pessoas, ainda que de forma divergente, buscam indícios e provas acerca da vida além da nossa atmosfera. A ciência de que astrônomos encontraram mais de 50 planetas extra-solares, ou seja, que giram ao redor de uma estrela semelhante ao nosso Sol, desde 2001 (se considerarmos as pesquisas anteriores, teremos uma quantidade maior: 358), dificilmente nos deixa impassíveis quando se está a dedicar-se pela busca de vida nesta galáxia, além do nosso Planeta, ou mesmo em outra das 50 bilhões de galáxias que, estima-se, existem em nosso Universo.
Diante das investigações realizadas, firmamos: não há, ainda, uma resposta conclusiva para nossa pergunta. Contudo, às primeiras de nossas certezas outras foram se somando, também fruto de um trabalho árduo de profunda reflexão diante de pesquisas sérias e comprovadas, as quais dariam indícios de que, talvez no futuro, tenhamos uma resposta definitiva ao nosso questionamento; até lá, nos cabe esperar e pesquisar.
Assim como nós, também os cientistas, de posse da mais alta tecnologia e vultosos investimentos em pesquisas, necessitam deste tempo histórico de decantação, investigação e construção de novos conhecimentos, posto que eles próprios levam consigo suas dúvidas temporárias e certezas provisórias a reconstruir.
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